Quando a Criança Troca de Letras na Fala e na Escrita: Entenda as Causas e Como Intervir
Você já percebeu que seu filho fala “quelo” em vez de “quero”? Ou que ao escrever, troca o “r” pelo “l”? Essas troca de letras na fala e na escrita, podem parecer apenas fases do desenvolvimento, mas quando persistem além da idade esperada, merecem atenção. Muitas vezes, pais e professores não sabem identificar o momento certo para procurar ajuda profissional, o que pode atrasar o desenvolvimento escolar e da linguagem da criança.
Neste artigo, vamos esclarecer:
- Quando essas trocas são normais
- O que pode estar por trás delas
- Como a fonoaudiologia e a psicopedagogia ajudam
- Sinais de alerta e o que fazer
Se você quer entender melhor o que está acontecendo com seu filho e como ajudá-lo a evoluir, este conteúdo é para você.

Por que a criança troca letras na fala?
1. Desenvolvimento normal da linguagem
Durante a aquisição da linguagem, é natural que a criança cometa erros. Isso faz parte do desenvolvimento. Por exemplo:
- Até os 3 anos, trocas como “tatato” no lugar de “sapato” são comuns.
- Até os 4 anos, é normal dizer “molango” em vez de “morango”.
- Até os 5 anos, ainda podem ocorrer trocas como “calo” por “carro”.
Essas trocas são chamadas de processos fonológicos naturais, e costumam desaparecer espontaneamente com a maturação.
2. Quando vira um sinal de alerta?
A partir dos 5 a 6 anos, espera-se que a criança fale corretamente a maioria dos sons. Se ela ainda:
- Troca sons com frequência
- Omite partes das palavras
- Fala de forma muito infantil para a idade
- Não é compreendida por pessoas de fora do convívio familiar
…é hora de procurar avaliação fonoaudiológica.
Tipos comuns de trocas na fala
- Substituição: “datato” no lugar de “sapato”
- Omissão: “calo” no lugar de “carro”
- Inversão: “brulaco” no lugar de “brinquedo”
- Troca de sons próximos: “l” por “r”, “d” por “b”
Esses padrões, quando persistentes, indicam alterações chamadas transtornos fonológicos ou até apraxia de fala em casos mais complexos.
Trocas de letras na escrita: um reflexo da fala?
Sim, muitas vezes o modo como a criança fala influencia diretamente a forma como ela escreve. Crianças com alterações fonológicas tendem a escrever as palavras exatamente como as pronunciam.
Por exemplo:
- Se fala “quelo” em vez de “quero”, pode escrever “quelo” no papel.
- Se troca o “f” pelo “v” ao falar, tende a repetir isso ao escrever.
Essas trocas na escrita são chamadas de inversões ou trocas ortográficas, e nem sempre estão associadas à dislexia – podem ter origem exclusivamente fonológica.
Quando é dislexia e quando é outra coisa?
A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem com base neurológica, e se manifesta principalmente na dificuldade de ler, escrever e decodificar palavras. Pode vir acompanhada de troca de letras na fala e na escrita, mas não se limita a isso.
Já as trocas por distúrbios de fala se originam na dificuldade em diferenciar ou produzir sons da fala, interferindo na escrita por consequência.
Por isso, uma avaliação multidisciplinar (fonoaudióloga + psicopedagoga) é essencial para diferenciar.
Como a fonoaudiologia ajuda?
O trabalho fonoaudiológico visa corrigir a fala e a percepção dos sons por meio de:
- Estímulo à consciência fonológica
- Exercícios de articulação
- Treinamento da discriminação auditiva
- Fortalecimento da musculatura oral
- Treinamento auditivo específico em cabine ou ambiente clínico
A fonoaudióloga é a profissional indicada quando a criança:
- Troca muitos sons ao falar
- Não é compreendida
- Está atrasada no desenvolvimento da linguagem
- Tem dificuldade para ler e escrever por causa da fala
Leia:Descubra o Que Fazer se Seu Filho Troca Letras ao Falar: Guia Completo para Pais,clique aqui!
Como a psicopedagogia entra nesse processo?
Quando as trocas aparecem na escrita e leitura, a atuação da psicopedagoga é fundamental. Ela trabalha:
- A percepção visual e auditiva
- A consciência fonológica
- A associação entre som e grafema
- O processo de alfabetização funcional
Além disso, o psicopedagogo ajuda a identificar dificuldades emocionais e pedagógicas que podem interferir na aprendizagem.
Abordagem ideal: trabalho em equipe
O ideal é que o atendimento seja feito de forma interdisciplinar, com a fonoaudióloga e a psicopedagoga trabalhando juntas. Esse trabalho conjunto:
- Acelera os resultados
- Evita lacunas no desenvolvimento
- Promove maior segurança à criança
- Envolve a família no processo
Casos em que a intervenção precoce fez toda a diferença
✅ Uma criança de 6 anos que trocava o “r” por “l” e escrevia “pala” no lugar de “para” conseguiu, após 4 meses de fonoterapia e apoio psicopedagógico, falar e escrever corretamente.
✅ Outra, com 7 anos, confundia “d” e “b” na escrita e trocava “gato” por “dato” na fala. Após o diagnóstico de distúrbio fonológico, teve melhora em 3 meses com intervenção combinada.
Quanto mais cedo o apoio especializado entra, maior a chance de sucesso escolar e de autoestima preservada.
O que os pais podem observar?
Sinais que indicam a hora de procurar ajuda:
- A criança evita falar em público
- Fica frustrada ao escrever
- Comete os mesmos erros há mais de 6 meses
- Os colegas da mesma idade falam melhor
- A escola já alertou sobre atrasos
O que acontece se não tratar?
Sem tratamento, a criança pode:
- Ter baixo rendimento escolar
- Desenvolver problemas emocionais (vergonha, insegurança)
- Evitar se comunicar com os outros
- Ter problemas de socialização
- Desenvolver distúrbios mais complexos com o tempo
Como é a primeira consulta?
Na clínica, a primeira avaliação inclui:
- Escuta atenta da queixa dos pais
- Observação da fala da criança
- Aplicação de testes específicos
- Avaliação psicopedagógica (se necessário)
- Orientação inicial sobre o plano de intervenção
Conclusão
Trocas de letras na fala e na escrita nem sempre são apenas fases. Quando persistem, elas exigem olhar clínico e ação profissional para não comprometer a aprendizagem e o desenvolvimento social da criança.
Se você está em dúvida, não espere a escola ou o SUS. O acompanhamento particular permite uma intervenção mais rápida, eficaz e personalizada — e seu filho merece essa chance.
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